Remo ergométrico emagrece? Quanto esse aparelho gasta

Aparelho de remo ergométrico vazio sobre o piso de borracha escuro de uma academia, com a luz de uma janela entrando pela lateral.
Neste artigo

O remo ergométrico não emagrece sozinho. Quem emagrece é o déficit calórico, e o aparelho entra como uma das formas de aumentar o gasto do dia. A pergunta que tem resposta medida é outra: Quanto o remo gasta. Em um estudo que comparou seis máquinas de academia pela percepção de esforço, o remo ficou no grupo de maior gasto, acima da bicicleta ergométrica e abaixo da esteira. [1]

Quanto o remo ergométrico gasta por hora?

Zeni, Hoffman e Clifford testaram 13 adultos saudáveis, oito homens e cinco mulheres, em seis aparelhos: Airdyne, simulador de esqui, bicicleta ergométrica, remo, simulador de escada e esteira. Depois de quatro semanas de familiarização, cada um cumpriu três etapas de cinco minutos nas percepções de esforço 11, 13 e 15 da escala de Borg, com o consumo de oxigênio medido para calcular o gasto. [1]

Na percepção 13, a que a escala descreve como um pouco difícil, o participante médio gastava cerca de 700 quilocalorias por hora na esteira e menos de 500 por hora na bicicleta ergométrica. O remo, o simulador de escada e o de esqui formaram o grupo acima da bicicleta nas três intensidades examinadas, e a diferença máxima entre aparelhos no mesmo esforço chegou a 261 quilocalorias por hora. [1] Na aula sobre o simulador de escadas e o remo, a leitura que eu faço desse gráfico é de cerca de 600 quilocalorias por hora para a escada nessa percepção, com o remo se comportando de forma parecida. [2]

A ordem de grandeza do remo está aí: Entre a bicicleta e a esteira.

Os limites desse número

Os próprios autores registram que a amostra é pequena, o que impede comparar homens e mulheres, e que o resultado pode não valer para quem tem baixa aptidão física. [1] Eram adultos jovens e condicionados, com consumo máximo de oxigênio médio de 54,8 nos homens e 46,8 nas mulheres, em mililitros por quilo por minuto. [1] O trabalho saiu em 1996, usou modelos específicos de aparelho e teve financiamento parcial dos próprios fabricantes, o do remo inclusive. [1] Em aula eu levanto o mesmo problema por outro lado: O remo atual tem um mecanismo de corrente dentada que o antigo não tinha, e isso pode mudar o gasto. [2]

Quantos minutos de remo?

Essa é a pergunta mais feita e a que menos tem resposta pronta. O estudo não oferece equivalência de minutos entre aparelhos, e os autores observam o contrário: Com duração maior dá para igualar o gasto total entre modalidades diferentes. [1]

Para calibrar a expectativa: Hagerman e colaboradores mediram 310 remadores competitivos em um teste máximo de seis minutos no remo ergométrico. O custo energético total calculado foi de 221,5 quilocalorias, sendo 70% por via aeróbia e 30% anaeróbia, com os atletas trabalhando a 96 a 98% da capacidade aeróbia máxima. [3] Eram homens de 23 anos em média, parte deles medalhista mundial, em um ergômetro mecânico dos anos 70. O próprio artigo lembra que a conta depende de uma estimativa e do conceito de débito de oxigênio, que ele chama de controverso. [3]

Seis minutos de esforço quase máximo, em atleta de seleção, somam pouco mais de 200 quilocalorias. O que muda a sua semana é o total acumulado e o que acontece no prato, não o aparelho escolhido.

Sobre como fica o corpo de quem rema, esses dois estudos não respondem: Eles mediram gasto energético e desempenho, e nenhum dos dois acompanhou mudança de composição corporal.

Remo ou esteira?

Essa comparação já tem critério publicado aqui, em escada ou esteira: Qual gasta mais calorias. Vale a mesma leitura para o remo: Sem definir ritmo e duração, a comparação entre dois aparelhos não produz conversão fixa de minutos.

Para enquadrar o treino no gasto do dia, comece pelo seu gasto de repouso, que você estima na calculadora de TMB. E, antes de estimar o gasto de qualquer aparelho, o primeiro dado que eu levanto em aula é o nível de treinamento de quem vai treinar, porque é ele que define quanto tempo a pessoa sustenta a máquina. [2] Leve esse ponto a quem acompanha o seu treino.

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Referências

  1. Zeni AI, Hoffman MD, Clifford PS. Energy expenditure with indoor exercise machines. JAMA. 1996;275(18):1424-1427. DOI 10.1001/jama.1996.03530420052035. PubMed.
  2. Paes S. Gasto calórico do simulador de escadas e remo. Personal Play, Gasto calórico do exercício físico, aula 10. Transcrição do acervo do autor, sem data informada.
  3. Hagerman FC, Connors MC, Gault JA, Hagerman GR, Polinski WJ. Energy expenditure during simulated rowing. Journal of Applied Physiology. 1978;45(1):87-93. DOI 10.1152/jappl.1978.45.1.87. PubMed.

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