Glutamina funciona? O que ela faz e o que não faz

Tigela com pó branco, medidor e copo com água sobre uma bancada.
Neste artigo

Glutamina não deve ser uma compra automática para melhorar a imunidade, o intestino ou a recuperação depois do treino. Existem resultados favoráveis em condições específicas, mas cada promessa precisa ser examinada pelo desfecho que realmente foi estudado.

A glutamina é um aminoácido que nosso organismo consegue produzir. Participa do metabolismo de células de defesa e do intestino, mas essa função não demonstra, por si só, que ingerir mais glutamina trará benefício. A pergunta prática é qual problema queremos resolver e que resultado o suplemento demonstrou para aquela situação. [1, 2, 3]

Glutamina melhora a imunidade?

Em um estudo duplo-cego, Tritto e colaboradores compararam glutamina com placebo em atletas de combate que reduziam rapidamente o peso antes de competir. Entre os 23 participantes que completaram esses dois grupos, o suplemento não reduziu os sintomas respiratórios relatados em relação ao placebo. [1]

Isso não significa que o trabalho tenha avaliado toda a imunidade humana. Os sintomas foram informados pelos próprios atletas, sem confirmação de infecção, e o contexto era um corte de peso para competição. Portanto, esse resultado não autoriza prometer proteção contra gripes para quem compra um pote na loja.

E para o intestino?

Zuhl e colaboradores estudaram oito adultos em um ensaio cruzado, no qual os participantes receberam glutamina e placebo em momentos diferentes. Após sete dias de suplementação, realizaram uma corrida em ambiente quente. Com glutamina, houve menor permeabilidade intestinal medida por um teste de açúcares na urina. [2]

Permeabilidade descreve a passagem de substâncias pela barreira intestinal. Esse teste não é uma medida de frequência de evacuação nem de alívio do inchaço. O estudo não demonstrou que qualquer pessoa com intestino preso precisa tomar glutamina. Também não permite transformar um resultado após corrida no calor em recomendação geral para tratar desconfortos intestinais.

Ajuda na recuperação muscular?

Um ensaio de Legault e colaboradores, com 16 adultos jovens, encontrou menor dor muscular após exercício excêntrico de extensão do joelho. Nesse exercício, o músculo produz força enquanto se alonga. Houve também resultados favoráveis em algumas medidas de recuperação da força, com diferenças entre homens e mulheres. [3]

O acompanhamento foi de 72 horas. Logo, estamos falando de recuperação após um protocolo específico, e não de comprovação de maior hipertrofia ao longo de meses. Seria incorreto dizer que o estudo não encontrou benefício; também seria incorreto usá-lo para garantir que todo praticante de musculação precisa do suplemento.

Então, vale a pena comprar?

Antes de escolher cápsula ou pó, defina o objetivo. O formato do produto não resolve a pergunta sobre a existência de benefício para o seu caso.

Por exemplo, se a intenção é resolver um intestino preso, pergunte se a pesquisa apresentada mediu evacuação ou apenas permeabilidade após exercício. Se a intenção é recuperar melhor do treino, pergunte se o resultado foi menos dor, recuperação de força ou crescimento muscular. São perguntas diferentes.

Leve para a avaliação profissional informações sobre alimentação, sono, rotina de treino e sintomas. Isso permite discutir a necessidade real do suplemento sem presumir uma deficiência a partir de uma propaganda.

Para continuar entendendo por que cada suplemento precisa ser avaliado por seu objetivo, leia o artigo principal sobre beta-alanina e quem pode se beneficiar dela.

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Referências

  • [1] Tritto ACC, Amano MT, De Cillo ME, et al. Effect of rapid weight loss and glutamine supplementation on immunosuppression of combat athletes: A double-blind, placebo-controlled study. Journal of Exercise Rehabilitation. 2018;14(1):83-92. DOI 10.12965/jer.1835154.577. PubMed e texto completo.
  • [2] Zuhl MN, Lanphere KR, Kravitz L, et al. Effects of oral glutamine supplementation on exercise-induced gastrointestinal permeability and tight junction protein expression. Journal of Applied Physiology. 2014;116(2):183-191. DOI 10.1152/japplphysiol.00646.2013. PubMed e texto completo.
  • [3] Legault Z, Bagnall N, Kimmerly DS. The influence of oral L-glutamine supplementation on muscle strength recovery and soreness following unilateral knee extension eccentric exercise. International Journal of Sport Nutrition and Exercise Metabolism. 2015;25(5):417-426. DOI 10.1123/ijsnem.2014-0209. PubMed.

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