Arroz e feijão: Preciso tirar do prato para emagrecer?

Prato brasileiro com arroz, feijão carioca, bife grelhado e salada verde sobre mesa de madeira escura
Neste artigo

Não é obrigatório tirar arroz e feijão do prato para emagrecer. Essa combinação pode fazer parte de uma alimentação planejada para perder peso. Isso não significa que ela emagreça sozinha, nem que qualquer quantidade sirva para qualquer pessoa. O ajuste precisa considerar a alimentação como um todo.

Na aula sobre os quatro Ps da dieta, uso justamente arroz, feijão, carne e salada como exemplo de uma refeição habitual que pode ser mantida no planejamento. Prazer, praticidade, preço e produtividade são os critérios que proponho considerar. Se essa é uma comida de que você gosta e que consegue preparar, vale começar por ela ao conversar sobre o seu plano alimentar.

Dá para perder peso com arroz e feijão?

Um ensaio brasileiro acompanhou adultos com sobrepeso ou obesidade durante 16 semanas. Foram incluídas 36 pessoas, e 27 concluíram o acompanhamento. Um grupo recebeu orientação para uma dieta com arroz integral e feijão; o outro, para uma dieta convencional. As duas tinham restrição de calorias, e houve redução de peso nos dois grupos, sem diferença estatisticamente significativa entre eles para esse desfecho (da Costa e colaboradores, 2014).

O estudo é pequeno e avaliou uma mudança no conjunto da alimentação. Portanto, ele mostra que arroz integral e feijão estiveram presentes em uma dieta na qual houve emagrecimento. Não demonstra que sejam responsáveis pela perda de peso, que comer mais deles produza mais resultado ou que o mesmo resultado esteja garantido para você. Também não comparou arroz branco com integral.

Para entender a parte da energia sem transformar um alimento isolado em culpado, leia o artigo sobre déficit calórico.

O que observar no seu prato?

Comece descrevendo a refeição que você realmente faz. Qual arroz usa? Como prepara o feijão? O que acompanha os dois? Quanto costuma servir e repetir? Essas informações são mais úteis para discutir ajustes com o nutricionista do que simplesmente anunciar que vai cortar arroz e feijão.

Pense, por exemplo, em alguém que almoça arroz, feijão, carne e salada e gosta dessa combinação. Antes de substituir o almoço inteiro por uma receita desconhecida, pode levar ao atendimento uma descrição desse prato e das outras refeições do dia. O exemplo serve para organizar a conversa, sem fixar colheres, conchas ou uma proporção obrigatória no prato.

Na mesma aula, considero também a textura: O feijão com caldo pode ser uma possibilidade para quem gosta do arroz mais molhado. É uma preferência culinária que pode entrar no planejamento, sem transformar o caldo em estratégia de emagrecimento. Se você não gosta de feijão, isso também precisa ser dito; não há motivo para esconder a preferência ao discutir as opções.

Preciso comer a mesma quantidade que outra pessoa?

Um texto sobre alimentos não determina a sua porção. A quantidade precisa ser definida no contexto da avaliação individual, e não copiada da foto de um prato ou da rotina de outra pessoa. Este artigo também não orienta mudar uma dieta prescrita por causa de uma condição de saúde.

O ponto prático é levar a comida habitual para dentro do planejamento. Arroz e feijão podem continuar nessa conversa, com atenção ao preparo, às preferências e aos ajustes do seu caso, sem uma exclusão automática.

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Referências

  • Da Costa THM, Reis CEG, da Silva FVP, Casulari LA. Improvement in metabolic parameters in obese subjects after 16 weeks on a Brazilian-staple calorie-restricted diet. Nutrition Research and Practice. 2014;8(4):410-416. DOI 10.4162/nrp.2014.8.4.410. PubMed e texto completo.
  • Paes S. Os 4 Ps que levam ao sucesso da dieta. NutriTV, módulo Nutrição Comportamental, aula 21. Material didático usado para documentar o raciocínio prático e as preferências alimentares.

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