O treinamento aeróbio do tipo intervalado de alta intensidade é uma opção bastante interessante para aquelas pessoas que já são treinadas e já apresentam uma boa execução motora dos movimentos requeridos pelo treinamento.
Em outras palavras estamos nos referindo a realização de exercícios simples ou complexos. Quanto mais complexo o gesto motor do exercício selecionado maior o nível de treinamento do praticante. Ou seja, para se realizar um movimento em uma velocidade mais alta é preciso uma boa consolidação de valências físicas como coordenação motora, agilidade e equilíbrio.
No entanto, existem tipos de HIIT como o curto [poucos minutos de sessão (4-8 minutos) intercalados com 20 segundos de execução dos movimentos e 10 segundos de descanso] e o do tipo SIT (30 segundos sustentados em máxima velocidade possível) intercalados com 4-5 minutos de descanso, dando em média 25-30 minutos) que são apontados por alguns profissionais, como métodos que além de emagrecer podem auxiliar no ganho de massa muscular.
A justificativa estaria vincula ao fato da maior intensidade da contratilidade muscular requerida pelos sprints ou velocidade aumentada durante os momentos de estímulos mais rápidos ser capaz de aumentar o estresse metabólico na porção muscular trabalhada. Sabe que o estresse metabólico, juntamente com a tensão mecânica e o dano muscular, são responsáveis pela estimulação de vias bioquímicas moleculares que desencadeiam dentro do músculo sinais que vão levar, resumidamente, ao ganho de massa muscular.
Embora alguns estudos com indivíduos sobrepesos apontem que o treino intervalado possa melhorar a qualidade da musculatura por reduzir a infiltração de gordura intramuscular e diminuir o quadro que chamamos de mioesteatose, aliado a melhora de marcadores bioquímicos de hipertrofia muscular, essa especulação de aumento de massa muscular esbarra na falta de evidências robustas que compararam os treinos do tipo HIIT e fizeram a equalização correta do volume de treino dos protocolos de exercícios aeróbios cíclicos (como corrida e bicicleta) e acíclicos (como protocolos do tipo HIRT, uma espécie de HIIT da musculação), monitoração dos parâmetros de recuperação muscular como a qualidade do sono dos voluntários e o mais importante na comparação entre os protocolos de dietas estabelecidos pelos estudos.
Em relação aos protocolos dietéticos dos estudos que sugerem que o HIIT possa aumentar a massa muscular, muitos mencionam apenas que os voluntários foram orientados a seguir as mesmas rotinas dietéticas. Essa é uma das maiores limitações possíveis para estudos que avaliaram desfechos como perda de peso, uma vez que dietas indicadas para emagrecer precisam gerar um déficit calórico, porém a magnitude desse déficit precisa ser igual entre as comparações, uma vez que dietas com déficits calóricos maiores necessariamente aumentarão o catabolismo da massa muscular o que pode ser um fator de confusão muito grande entre os que relatam que HIIT pode aumentar a massa muscular.
Uma coisa é dizer que o HIIT auxilia no emagrecimento da mesma forma exercício aeróbico contínuo (já se sabe que ambos apresentam o mesmo resultado para o emagrecimento), a outra e totalmente precipitada é apontar que o HIIT possa aumentar a massa muscular. Na ânsia para vender uma prescrição de treino sensacionalista e descontextualizada, muitos treinadores podem ficar tentados em dizer que o HIIT além de emagrecer vai fazer com que o praticante aumente a massa muscular. Cuidado com esse tipo de narrativa, e com aqueles que não citam as referências científicas que sustentam suas falas.
Referência
Callahan MJ, Parr EB, Hawley JA, Camera DM. Can High-Intensity Inter
Sou nutricionista e também bacharel, licenciado, mestre e PhD em Educação Física. E também sou pesquisador, escritor, possuo mais de 40 artigos científicos publicados em revistas nacionais e internacionais e também sou autor do livro “Bases Nutricionais do Treinamento de Hipertrofia”.
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